Há muito tempo atrás nasceu um pássaro fêmea. Ela era a sétima de uma ninhada, e sabe-se, em diferentes culturas e lugares, que quase tudo relacionado a esse número tem uma componente mágica, para o bem ou para o mal. Depois dessa pequena ave, nenhuma mais nasceu dos mesmos pais, e ela ficou sendo a filha mais nova, a mais mimada, a que recebia mais atenção e carinho.
Como já não bastasse o fato de ser a caçula, o destino quis que sua mãe morresse muito cedo, e sendo a mais nova, as suas irmãs mais velhas e seu pai se preocuparam ainda mais em protegê-la. Três de suas irmãs passaram a tratá-la com todo carinho e atenção, de tal forma que ironicamente nunca tiveram seus próprios filhos e acolheram aqueles que viriam a ser seus sobrinhos como sendo seus próprios filhos ou netos.
A vida seguiu seu rumo, e na sua naturalidade, a nossa heroína casou, teve filhos e um dia, já velho, seu pai morreu. A vida trazia coisas tristes, mas as boas naquela época eram muitas e intensas que ela era uma ave feliz. A sua alegria era notória e reconhecida por toda gente, e juntamente com seu marido, eram famosos por sua felicidade e prazer de viver. Ela era uma pessoa apaixonada em todos os termos da palavra, fosse por seu marido, fosse por seus filhos, fosse pelo prazer que tinha em ver as competições esportivas. Baseado nisso, ela viveu a maior parte de sua vida, passando essa filosofia a seus filhos e netos que já começavam a nascer. Todos, de alguma forma se beneficiaram de seu amor e se ligaram ao esporte de uma maneira especial.
Mas depois de um verão, há sempre o inverno, da mesma forma que o destino nem sempre traz coisas boas. Chegou uma época em que as suas irmãs mais velhas e mais próximas morreram, e por último o seu amado marido. Se é verdade que a alma de alguém tem lugares fundos, era de lá que vinha o choro no momento final de despedida. Mesmo aqueles com o coração frio sentiam-se tocados com a forma que ela expressava a sua dor.
Aquele que era a razão da sua vida, o seu grande amor havia partido para outros vôos. Ela estava pela primeira vez na vida sozinha. Outras aves em volta acreditavam que ela não ia suportar a solidão – mas apesar das previsões sombrias, ela seguiu adiante.
Mas o destino ainda tinha guardado ainda mais provações. Um de seus filhos morreu precocemente, e dessa vez as outras aves diziam, “Nenhuma mãe merece a dor de ver seu próprio filho partir”. Mais uma vez o choro comoveu a todos, e mais uma vez acreditavam que o coração dela não aguentaria mais tanta dor.
Porém, o que as outras aves não sabiam é que ela era uma espécie especial. A paixão que ela sentia pelas coisas, o amor que ela sentia pelas pessoas acendia o seu coração, e dentro de seu ninho havia um lugar especial, onde nos momentos de dificuldades e dor que ela havia enfrentado ao longo da vida, ela se trancava. Lá dentro, ela fazia o seu coração inflamar ao máximo, até o ponto em que ela se transforma num pássaro de chamas e depois de arder completamente, ela virava cinzas – o que para muitos significaria o fim, mas para ela era apenas o recomeço. Das cinzas ela renascia, e se tornava mais forte. Daquela transformação, ela renovava as suas forças e tinha mais energia para enfrentar os desafios do destino.
Feliz Aniversário Vó.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
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Beijo!
ResponderExcluirmuito lindo.
ResponderExcluiré lindo mesmo!
ResponderExcluirNão foi a toa que ela chorou e eu também :-)